Paulo Moregola – Diretor Comercial e Marketing – Edições Loyola
P: A crise econômica que o país experimentou no passado afetou também, como a outros setores, ao setor editorial brasileiro. Consequentemente, as importações de livros caíram nos últimos anos. A esperança para os próximos anos é que o setor recupere sua força pouco a pouco (já estamos vendo como nesse ano as vendas fecharam num cenário positivo), Qual é a realidade atual do setor?
R: Definitivamente vivemos uma forte crise no setor, ao mesmo tempo em que isso causou muitas mudanças na maneira de como os editores trabalham, os lançamentos, as importações, etc. As editoras tiveram de reduzir os lançamentos, e também reimprimir livros com quantidade reduzida, principalmente quando se trata de um livro importante que precisa ser mantido em catálogo.
Entendemos que o setor vem apresentando algo de recuperação e se reinventando. Fica claro que as mudanças digitais por outro lado, vem ocorrendo há muitos anos e são a realidade também do setor editorial, porém cada empresa utiliza de forma diferente as redes sociais e tecnologias digitais, varia muito, pois depende do público e o segmento que a editora trabalha (livro didático, literatura, livro espiritual e religioso, etc.), mas o que está claro, é que agora, para todas as editoras é importante estar em contato com o leitor, gerar uma conversa direta com ele e conhecer seus interesses. Para isso as ferramentas digitais são fundamentais no exercício dessa nova comunicação tão imediata e direta com os leitores.
P: Quais são, em sua opinião, as mudanças mais relevantes que o setor vai experimentar, ou se acha que precisa mesmo que essas mudanças ocorreram para que o setor volte ao desenvolvimento positivo que já teve anos atrás?
R: Por um lado, é verdade que muitas das novidades para as quais foram esperadas grandes mudanças no setor, finalmente não obtiveram o impacto esperado (se dizia que os e-books estavam chegando para mudar tudo, mas o livro em papel ainda tem uma posição preponderante). Mas também é verdade que a internet, -o app, o comércio eletrônico, etc. são parte do dia a dia dos leitores, e por isso devem estar integrados no setor editorial, em diferentes níveis e sempre tentando fazer com que o público interaja com a editora. Utilizando diferentes ferramentas digitais a Editora Loyola procura interagir com o seu público para conhecer e atingir suas necessidades, facilitar tomadas de decisões e criar novas experiências.
No final, através da internet e as redes sociais o público conhece o livro, e é então que eles vão para a editora e conversam com a gente. No caso da Loyola, que tenta publicar livros que ajudam a formação humana da pessoa, esse contato é essencial.
Nós também tentamos, a través das ferramentas digitais, uma forma de criar uma nova experiência para o leitor. Temos desenvolvido projetos de audiobooks, uma mídia pensada para a mobilidade, por meio de um aplicativo agora e possível acessar e ouvir um livro em qualquer lugar e a qualquer momento. O audiobook é muito legal porque além do conteúdo da obra traz também material sonoro, coloca uma ênfase maior em algumas historias, e inclusive às vezes se combina com o próprio livro físico a través da realidade aumentada proporcionando uma experiência diferente.
P: O portal NSB É um projeto da Espanha que oferece uma seleção de novos títulos espanhóis cujos direitos de tradução se encontram disponíveis para o mercado brasileiro. Qual é a sua visão com respeito à realidade atual e como pensa que pode ver evoluir a compra de direitos autorais no Brasil?
R: No nosso caso, temos muitos livros cuja origem é o espanhol. De fato, nossa origem radica na Espanha e isso está presente. A Loyola tem um catálogo ativo de mais de 2 mil títulos dentre os mais de 5 mil já publicados. Temos trabalhado por muitos anos com títulos espanhóis e outros títulos estrangeiros. A decisão na hora de optar pela importação ou tradução finalmente cai no mercado de destino. No nosso caso, se acreditarmos que é um livro que cobre uma necessidade muito específica, que será usada por um pequeno número de leitores especialistas em uma área concreta, optamos diretamente por importar esse livro. Por outro lado, se é um trabalho mais genérico, que tem um potencial interesse geral para todo o nosso público, consideramos fazer a tradução do livro para o português.
É importante o dimensionamento porque a Loyola atende um público bem diversificado. Tem público no meio acadêmico, na área de Filosofia, Teologia, Educação, Psicologia, Bioética, etc. e também tem leitores da área da Espiritualidade, Pastoral e Magistério da Igreja. Porém, tentamos oferecer um diálogo entre essas áreas, por exemplo, temos uma nutricionista que desenvolve obras nas que agrega a questão nutricional à espiritual no mesmo livro, um material que achamos muito interessante e que abrange aos diversos públicos da Loyola.
P: Cada vez mais os escritores buscam encontrar um nicho de mercado e abordar um público específico. Acha que a literatura espanhola pode ser considerada um nicho em si mesmo, aqui no Brasil?
O nosso catálogo sempre teve autores especializados em temas e nichos. Tanto na área de espiritualidade como no CTP geralmente publicamos textos que abordam assuntos focados em públicos bem específicos.
Entendo que a literatura espanhola pode ser considerada um nicho. E vejo isso proliferar até mesmo por outros canais midiáticos, como o caso da TV fechada e o cinema. A evolução vai depender de uma série de fatores que hoje dificultam o mercado editorial como um todo. Mas é neste momento de atenção que penso que as melhores oportunidades de parceria possam surgir. A perspectiva pode ser positiva, mas depende de agentes que possam aproveitar as janelas de oportunidades.
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