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Cassiano Elek Machado

Cassiano Elek Machado, é o Diretor Editorial da Planeta no Brasil. Trabalhou em importantes instituições do mundo literário e jornalístico do Brasil como a Folha de São Paulo, a Revista Piauí e a Editora Cosac Naify.

 

1.- A primeira pergunta é sobre aquilo que todo o mundo está falando; a pandemia. Infelizmente, já faz mais de um ano e meio que estamos vivendo esta situação delicada. Houve algum impacto nas editoras de livros?

O impacto da pandemia no segmento editorial foi muito diferente do que eu poderia prever inicialmente. Diante da perspectiva de livrarias fechadas na maior parte do ano, e com o país mergulhada em crises de todos os tipos, imaginava uma queda brutal nas vendas. Na realidade, essa pandemia acabou catalisando um processo que já vinha acontecendo, que era uma transformação na maneira de vender livros. O segmento viveu uma migração muito forte para o e-commerce, que já vinha crescendo, mas que com o fechamento da maior parte das livrarias, se acentuou vertiginosamente. O crescimento das vendas online amorteceu um pouco do enorme rombo gerado pelo fechamento das lojas.

De outra parte, diversas editoras, como a Planeta, que trabalham com muitos autores nacionais, perderam vendas importantes, porque o sucesso destes autores depende em parte de eventos: palestras, sessão de autografo, conferências.

Mas em resumo, de todos os segmentos do universo da cultura provavelmente o livro foi o menos afetado. Teatro, música e dança perderam demais, artes plásticas também, e o cinema que não passa pelo streaming também sofreu um baque terrível. 

2.- Em relação à primeira pergunta, a pandemia afetou muito aos pequenos livreiros. A Planeta valoriza muito esses profissionais, com projetos específicos, como a plataforma Planeta de Livreiros. Qual é a sua opinião sobre o futuro deles?

Desde o ponto de vista da Planeta, a gente tem uma relação de muito respeito pelo trabalho dos livreiros. A gente criou, inclusive, o programa que vocês citam na pregunta, o Planeta de Livreiros. Que eu saiba, é o único projeto institucional de alguma grande editora voltado exclusivamente para o profissional de livraria. É um projeto que a gente tem para produzir conteúdo exclusivo e para informar aos livreiros, inclusive antes que a imprensa. Entendemos que o livreiro é nosso grande aliado. E isso não e só de boca para fora. Um exemplo claro é que, quando veio a pandemia, muitas editorias que já tinham e-commerce próprio acentuaram esse trabalho e começaram a vender mais pelos seus sites. No nosso caso, a gente optou por reforçar os laços com nossos parceiros de sempre, os livreiros. 

Do ponto de vista do tamanho das livrarias, acho que existem dois fenômenos mundiais. Primeiro, uma certa crise e esgotamento do fenômeno das mega livrarias que, aparentemente, no mundo inteiro não estão funcionando. Claro que tem exceções, porém não é o modelo dominante.  Ao mesmo tempo, o florescimento e ressurgimento de livrarias menores que conseguem suprir uma lacuna importante que as grandes não conseguem, com um trabalho mais curatorial, uma seleção mais cuidadosa dos livros, com um atendimento mais personalizado e uma maior segmentação. Por exemplo, hoje em dia há uma livraria que tem só livros de mulheres, livrarias que são mais especializadas em ficção literária etc. É uma tendência que vai continuar acontecendo, embora a pandemia tenha atrapalhado um pouco. A minha ideia é que, quando voltar à normalidade, vão aparecer mais livrarias pequenas e especializadas.

3- Aproveitando que estamos falando do futuro do setor, existem muitas mudanças nos formatos em que a literatura está sendo consumida. O que você acha sobre os formatos modernos como os livros digitais e os audio-books? Qual é a importância que eles terão no futuro do mercado editorial?

O crescimento dos livros em formatos digitais é impressionante. A pandemia, nesse sentido, acelerou esse processo. Se olharmos para nossos últimos dados do mês de julho, a gente teve um crescimento na área digital de 35% sobre o ano passado. E no ano passado já tivemos um crescimento absurdo. É um segmento que está em uma expansão impressionante. Entre as populações mais jovens tem se popularizado muito, também em alguns públicos como os executivos e, especialmente, em dois nichos; em livros românticos-eróticos e em livros de fantasia. 

O áudio livro também está crescendo muito, mas ele está em outro momento histórico. O e-book já é uma realidade totalmente consolidada, quase todos os livros no Brasil são lançados em formato digital. No caso do áudio livro ainda a proporção é bem menor, mais é um setor que está crescendo, em parte, graças a entrada de grandes empresas internacionais como a Storytel, a Bookwire e, em breve, a Amazon.

3.- Embora o espanhol e o português sejam línguas semelhantes, quais são os maiores obstáculos para a tradução e adaptação de obras espanholas para o mercado brasileiro? Poderia citar as principais diferenças entre o leitor espanhol e o leitor brasileiro?

De maneira geral, eu diria que os livros espanhóis têm uma entrada mais difícil no mercado brasileiro. Em termos de literatura estrangeira, os autores de língua inglesa continuam imbatíveis no Brasil. Na Planeta a gente publica mais livros de autores de língua espanhola do que outras editoras, e não só autores que tenham saído da matriz. Naturalmente, não temos como publicar todos os livros da Planeta da Espanha e nem faria sentido fazê-lo, pois, por exemplo, podemos achar que não combina com nossa linha editorial. Por isso, faz muito sentido ter livros da Planeta no Portal New Spanish Books Brasil. Também acho que não tem nenhuma dificuldade específica em relação à tradução. 

Mas, o maior ponto de diferença que o Brasil tem em comparação com outros mercados é que o histórico do preço médio por capa e muito mais baixo. Se você faz a comparação entre moedas e preços, é muito barato.  Ao mesmo tempo, também por razões históricas, as editoras acabaram construindo relações comerciais com as livrarias nas quais davam descontos que são também dos maiores descontos do setor livreiro do mundo. Então, se você tem um livro que custa 50 reais, a livraria vai te pagar menos de 25. Na verdade é menos da metade, cerca de 54% de média, quando em outros países costuma ser 30% ou 35% ou 40%. Se você soma ao preço de capa mais baixo os enormes descontos, você fica com uma margem muito pequena. Então por conta do custo das traduções muitas vezes a conta não fecha, principalmente para livros mais volumosos. 

4.- O projeto de reforma tributária do Governo Federal prevê cobrança de contribuição para o setor de livros que, até agora, não pagava impostos. Na sua opinião, como poderia afetar o setor se for aprovado?

Em primeiro lugar, acho que não vai ser aprovado. Mas, caso seja aprovado, isso simplesmente vai fazer com que o preço do livro tenha que aumentar. Como falei anteriormente, aqui no Brasil a gente já trabalha com uma margem muito pequena. Por um lado, é um país que historicamente investiu e investe muito pouco em educação e formação de leitores. Pela quantidade de pessoas que moram no Brasil, o número de livros vendidos é muitos baixo. Não existem atualmente grandes estímulos governamentais nem no desenvolvimento de políticas de leituras nem na criação de novas maneiras de vender livros, nem na criação literária... Com todo isto que falei e a pequena margem das editorias, se for implementada uma nova carga tributária para o livro, a única maneira das editoras lidarem com isso seria aumentar o preço. 

5.- A Espanha tem vários autores de grande sucesso internacional, por exemplo, o Carlos Ruiz Zafón, Javier Marías e Fernando Aramburu. Os best sellers espanhóis costumam ter sucesso no mercado brasileiro?

De uma maneira geral, mesmo os autores que são best seller na Espanha ou na língua espanhola não encontram terreno tão aberto aqui no Brasil. Autores como Arturo Pérez Reverte, que escreve livros que seriam bem acessíveis, tenderiam a ter sucesso aqui, mas em geral nunca funcionam. Alguns poucos quebram este padrão, como o Carlos Ruiz Zafón ou, no caso da Planeta, María Dueñas. A autora tem um ótimo histórico no Brasil, com mais de 200 mil livros vendidos. Lançaremos agora o novo livro dela, que é o mais vendido na Espanha neste momento, chamado Sira, continuação de “O Tempo Entre Costuras”, seu grande sucesso. 

6.- Quando as editoras brasileiras procuram livros de autores espanhóis, há alguma preferência por alguma categoria, por exemplo, best sellers, novos autores, clássicos da literatura ou literatura especializada?

Desde um ponto de vista mundial, um segmento que está muito em alta no Brasil é o segmento de livros de autoajuda. Tivemos alguns fenómenos internacionais, principalmente americanos. É um segmento muito aquecido. Também a ficção mais comercial; livros de fantasia, eróticos etc.

Desde o ponto de vista da Espanha, ainda é um terreno pouco explorado. No âmbito do mercado espanhol, ou hispano americano, é impressionante o sucesso de autores da língua espanhola em todos os segmentos. E poucos deles são lançados aqui. 

7.- A Planeta tem uma grande variedade de selos de literatura como o Tusquets para a ficção literária, o Pórtico para literatura cristã e Planeta Estratégia para literatura de negócios. Na sua opinião, a literatura espanhola é especialmente interessante em algum género específico?

Para todos nossos selos, avaliamos os projetos da Espanha. Mas, eu diria que, atualmente, as três linhas que têm maior presença da língua espanhola são o Tusquets, que a gente sempre tem algum autor espanhol embora não sempre sejam da própria Planeta. Recentemente, por exemplo, lançamos também alguns livros de língua espanhola no selo Academia, que é voltado para desenvolvimento pessoal, espiritualidade e temas próximos. Publicamos um livro sobre meditação de Pablo d’Ors e dois best-sellers da Espanha, dos autores Curro Cañete e Marian Rojas 

8.- A Espanha tem uma forte relação com os países hispano-americanos, em parte, por ter uma língua comum. Qual é a grande diferença entre os mercados hispano-americanos e o brasileiro?

Esses dois mercados, o mercado brasileiro e o mercado hispano-americano, têm várias diferenças. Eu vejo que, por exemplo, o mercado argentino é muito mais maduro do que o brasileiro. De um modo geral, o que me chama a atenção é o baixo intercâmbio que a gente tem como esses outros países. Acho que um maior intercâmbio seria mais proveitoso para o Brasil que para esses países. Inclusive, na Argentina eu já encontrei muitas vezes livros de temas sobre o Brasil que a gente aqui, no Brasil, não consegue encontrar. Eu acho que eles são muito mais abertos sobre aquilo que acontece aqui do que nós sobre o que acontece lá.  A questão da língua acaba sendo uma barreira, mas eu sinto que há uma questão que tem a ver com a ignorância.  

 

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